quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Comercialização da alma?

Hoje tudo parece indicar que vivemos sob um amplo processo de democratização de informações. Apregoa-se pelos quatro cantos do mundo que, graças à globalização e ao avanço da tecnologia, vivemos na "sociedade do conhecimento", aquela da "geração @", na qual as qualidades essenciais ao indivíduo são a flexibilidade, a inteligência técnica, a rapidez e a fluidez na busca da informação sempre disponível e, acima de tudo, a capacidade de transformar esse conhecimento em mercadoria de fácil circulação. Essa "comercialização da alma", na expressão de Robert Kurz (2001), movimento irresistível, se fortalece a cada dia, assumindo a dimensão de um fenómeno abrangente, elevado a uma espécie de culto, a uma verdadeira apologia ao livre acesso ao conhecimento.
A sociedade passar a ter o conhecimento como uma mercadoria a ser oferecida ao mercado, e com isso entramos de vez em uma sociedade do conhecimento, onde os indivíduos travam batalhas diárias, a fim de sobreviverem no mercado de trabalho, nas relações afetivas, académicas entre outras da interação social.
A sociedade do conhecimento está voltada para a produção intelectual, com uso intensivo das tecnologias da informação e comunicação. De acordo com os registos nesses documentos: "o conhecimento – e não os simples dados digitalizados – é o recurso humano, económico, e sócio-cultural mais determinante na nova fase da história da humanidade".
Com a expressão sociedade aprendente pretende-se inculcar que a sociedade inteira deve entrar em estado de aprendizagem e transformar-se numa imensa rede de ecologias cognitivas". Supera-se a era de produção dos bens materiais e estas mudanças paradigmáticas ocorrem na sociedade como um todo, inclusive e principalmente nas instituições de ensino. Encontramos-nos agora dentro de uma nova realidade mundial, onde a economia é baseada no conhecimento, acabando por deslocar o eixo da riqueza e do desenvolvimento de setores tradicionais, como os industriais - intensivos em mão-de-obra, matéria-prima e capital – para setores cujos produtos, processos e serviços são intensivos em tecnologia e conhecimento, o valor dos produtos depende cada vez mais da percentagem de inovação, tecnologia e inteligência a eles incorporados. Podemos formar ‘organizações de aprendizagem' nas quais as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam, onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio, onde a inspiração coletiva é libertada e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo.

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